Mostrar mensagens com a etiqueta Pintura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pintura. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Pinceladas de paixão

Num gesto misto de raiva e prazer, corre-me a mão em movimentos pendentes que vão ilustrando pensamentos e imagens que ao longo do tempo vou armazenando dentro de mim. O vermelho agarra o azul com a força da vontade, enquanto os dedos empastados de um verde fantástico brotam gestos cuidados como se de um vinho velho e perfumado se tratasse. Construo imagens sentimentos, melodias, sons, algumas coisas que odeio encho-as de laranja e turquesa e transformo-as em gestos de eterna beleza, enquanto escuto em silêncio e com interesse aquilo que o coração me diz gostar de ver pintado nesta tela enorme . Em gestos de profunda paixão vou dando vida a mim próprio. Encanta-me saber que aquilo que pinto é a imagem do tempo que passou e de momentos que hão-de brotar ainda nas nossas vidas, imagens do teu corpo em movimento. Utilizo azul-turquesa delineando as nossa vidas, gestos secretos e coisas que ficariam eternamente na obscuridade se não fosse esta paixão de te ter ao meu lado, junto-lhe castanho com odores de terra molhada que representam a ternura do caos que é amar-te cada vez mais. Aproveito entre duas pinceladas para beber um gole de vinho tinto e saborear-te longamente fazendo render o momento. Num gesto inusitado troco os pincéis pelos dedos e as imagens começam a fazer sentido. Cobres e brancos negros saltam-me das mãos, púrpuras enchem-nos de um odor a frutos silvestres, magentas e violetas entrelaçam-se com amarelos, como os daqueles muros amarelos, e escadas de cimento que atravessam ruas onde ainda não enchi as paredes com o teu nome. Madrugada dentro construo noites densas de luares luminosos, gestos húmidos e saborosos, odores de chocolates e cacau das índias, e idealizo enormes cestos de imensas cores de especiarias que não consigo pintar, mas das quais guardo os seus cheiros por entre o reboliço do mercado e de gentes que se atropela por entre negócios e prazer. E é assim que por entre pinceladas e dedos sujos, que só a tua presença acalma ... vou dando pinceladas de paixão.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Caminhos e cores

Procuro escrever uma estrada de flores que me levam até ti. Pontes e caminhos que fixam o teu olhar, curvas que te tocam de forma segura, sinais de que estou sempre por perto, rectas de sentidos únicos que roçam a tua pele e seguem o teu odor. É nos teus cabelos desalinhados que encontro a paixão que arde num doce aperto de mãos e nos teus lábios que sorvo a energia que preciso para não me perder nesta estrada da vida. Não sei amar-te de menos nem de mais, mas tenho a certeza de que te amo o mais possível. Quero-te muito , sempre mas sempre mais do que ontem. Respiro-te enquanto te escrevo, descubro-te enquanto te olho, deito-te enquanto te amo. Flores, pedras, caminhos sentidos, pedaços de nós, calores trocados, perfumes entranhados em pensamentos e trocas de olhares que alimentam, aquecem e nos transportam para jardins fantásticos e ruas antigas de calçada portuguesa, alumiadas por lanternas velhas de ténues chamas amareladas. Descubro que tudo o que me rodeia faz parte de ti, cada palavra, cada paixão, cada ausência, és tu a luz que alumias este beco e dás vida ás sardinheiras penduradas nas varandas. És o fascínio que ilustra as minhas ideias quando uso o magenta misturado com amarelo nas minhas telas, quando junto azul e esborrato amor misturado com castanho, sol e sombra por estes caminhos firmes e te redescubro mais linda ainda do que quando me ausentei de ti, apenas alguns segundos antes. Dedico-me a ti de corpo e alma, pinto e repinto dias que se repetem lado a lado, adormeço, acordo e abraço-te eternamente em pinceladas suaves e tonalidades quentes.